Da paisagem à tapeçaria: um caminho que continua
Antes da Tappeto, a paisagem já fazia parte do meu trabalho.
Hoje, ela retorna de outra forma, transformada em matéria, textura, cor e tapeçaria.
Antes da Tappeto, o olhar já estava voltado para os espaços
Minha trajetória profissional começou antes da tapeçaria. Venho da área de design de interiores e, em 2009, comecei a trabalhar com paisagismo. Foi uma época de muitos projetos, aprendizados e desafios, em que passei a olhar os espaços também a partir da relação entre arquitetura, natureza, materiais e composição. Ainda durante essa formação, desenvolvi um projeto de grande dimensão para a Avenida Prefeito Anito Toledo, apresentado como meu trabalho de conclusão de curso e entregue em 2011.
A partir dali, outros projetos foram surgindo. Entre eles, o projeto da casa da ceramista Malu Serra.. Foram anos de muito trabalho e de experiências que contribuíram para formar o meu olhar sobre os espaços.
Quando percebi que precisava mudar
Por volta de 2014 e 2015, porém, comecei a sentir que aquele caminho já não fazia mais sentido para mim.
O paisagismo envolvia uma rotina muito ligada a obras, construção, execução e gerenciamento de mão de obra. Depois de alguns anos nesse universo, eu estava cansada. Eu já vinha de uma trajetória no design de interiores e sentia que precisava mudar de direção. E, naquele momento, havia uma coisa que continuava fazendo sentido para mim: a tapeçaria. Foi então que, em 2015, fiz uma verdadeira mudança de rota profissional. Troquei a obra pela trama.
A mudança de matéria, mas não de olhar
Mudar de área não significou começar do zero.
Hoje percebo que muito do que vivi no design de interiores e no paisagismo continua presente na maneira como penso meu trabalho.
A experiência com os espaços me ensinou a observar proporções, formas, relações, volumes, cores, materiais e a maneira como um elemento pode transformar um ambiente.
Na tapeçaria, esse olhar encontrou outra possibilidade de expressão.
A escala mudou. A matéria mudou. O processo mudou.
Mas a relação com o espaço continuou.
É justamente por isso que, olhando para trás, percebo que a passagem do paisagismo para a tapeçaria não foi uma ruptura tão grande quanto poderia parecer.
Foi uma transformação.
Quando a paisagem volta para o meu trabalho
Anos depois, a paisagem voltou a aparecer de outra maneira.
Hoje, enquanto desenvolvo a Coleção Paisage da Tappeto, percebo que algumas referências daquele período continuam presentes em mim.
Não se trata de reproduzir jardins ou projetos que fiz como paisagista.
É uma releitura da paisagem através da arte têxtil.
As formas, as relações entre elementos, as cores, as texturas e a própria maneira de observar um espaço são filtradas pela experiência que construí ao longo desses anos e transformadas em outra linguagem.
Agora, a paisagem não é mais construída com plantas, pedras ou outros elementos de um jardim.
Ela é construída com fibras, pontos, textura, cor e composição.
E encontra lugar na parede.
Conheça a Coleção Paisage
Uma parte dessa história continua registrada
Durante os anos em que trabalhei como paisagista, alguns dos meus projetos foram publicados em revistas, portais e blogs especializados.
Esses registros continuam disponíveis na internet e fazem parte do meu percurso profissional.
Hoje, reúno parte desse material também como um arquivo dessa trajetória, uma maneira de preservar de onde vim e reconhecer as experiências que ajudaram a construir o olhar que tenho hoje.




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